11 de novembro de 2010

Análise da Obra: O Caminho do Poço das Lágrimas, André Vianco



André Vianco é um consagrado autor brasileiro de ficção e fantasia. Neste livro preparou mais uma fabulosa aventura para entreter seus vorazes e exigentes leitores. O escritor, quando compõe seus livros, busca sempre se divertir e, ao mesmo tempo, enredar os fãs de tal modo à deixá-los cativos até a ultima página.

O Caminho do Poço das Lágrimas é um destes livros do qual se desprende uma atmosfera mórbida de mistério e suspense. No decorrer da história, podemos ter até a impressão equivocada que sabemos o que está acontecendo, mas a partir do prosseguir da leitura nos enganamos em diversas partes.

O enredo conta-nos sobre Jonas, Ingrid e Bosco que despertam subitamente em frente a uma sombria passagem de pedras, enveredando por uma floresta fria e escura. O trio voltava de uma viagem de final de semana quando o pai, Jonas, acabou errando o caminho. Agora, perdidos Bosco – o caçula – tem sede; Ingrid tem pressa; e Jonas, tem medo.

Não tendo alternativa, com pouca memória do como foram parar ali naquele local, os três não tem outra escolha senão trilhar o seu caminho, sem saber para onde vai os levar e sem entender o verdadeiro significado de tudo aquilo.

Enquanto penetravam mais no caminho de pedras, dificuldades e dilemas vão aparecendo, o livro está cheio de lições sobre a convivência de pais e filhos, sobre a vida, o que realmente vale a pena ser vivido e o que não passa de ilusão. Jonas, um pai desesperado que só busca ficar perto dos filhos tem de se sacrificar para mate-los em seu caminho, enquanto o dele próprio, o qual o leitor tem de ficar até o final do romance para o saber, é indefinível.





André Vianco nos presenteia talvez com o melhor da sua atmosfera predominante, que é o terror. O leitor pode pensar se tratar de um romance fraco, com pouca movimentação mas este efeito, na minha analise, é ocasionado pelo constante apelo a união do seio familiar, a uma vida apoiada nos valores mais esquecidos. Questões como o dinheiro e a intensa corrida para o melhor padrão e conforto são fortemente debatidas e numa linguagem acessível a qualquer tipo de leitor, a instabilidade de se estar hoje e poder não estar amanhã são contemplados durante a impressionante narrativa cheia de metafóricas e nem por isso menos assustadora.

É um livro inquietante e, ao final, nos leva a reflexão de nossas próprias prioridades. Indicado para quem já é familiarizado com o gênero e a formar de escrever do autor e também para quem é marinheiro de primeira viagem no qual, assim espero, fomentará a paixão pelo gênero e a curiosidade entre suas outras obras.

Para mais informações sobre outros livros do autor visite o site oficial: <http://www.andrevianco.net/livros.html>.

9 de novembro de 2010

Literatura erótica: Uma visão Panorâmica

 
O erotismo é um tema tão interessante que não poderia ficar de fora do nosso blog. É com grande prazer, que esse tema também será abordado. Todo ser humano é um ser dotado de desejo, constantemente sedento e quase sempre insatisfeito. O erotismo literário é entendido como exaltação do gosto sensual até o ponto de excitar o instinto de volúpia de seus leitores, não se trata apenas de um estilo puramente comercial,  como pensam os leigos, é algo que vai além, o sexo é muito importante para se entender a complexidade da nossa conduta.

Será possível notar em textos que postarei futuramente, a provável presença de palavras obscenas, picantes, talvez a presença de certa pornografia - a irmã siamesa do erotismo - entretanto, não se pretende aqui esconder ou modificar tais palavras pois seria triste se censurássemos obras tão maravilhosas.

Quero que se entenda sem demais hipocrisias que "pornografia é o erotismo dos outros" (Alain Robbe), ou ainda, que "tudo que é erótico é essencialmente pornográfico, com alguma coisa a mais" (Alexandrian).

Como "guia de leitura", citarei algumas obras dentro do grande quadro de literatura erótica, como o Decamerón de Bocaccio, o moralista Marquês de Sade; a brasileira Hilda Hilst; uma lista interminável de poetas tais como: Gautier, Baudelaire, Aragon, Bataille. E sem esquecer-se do clássico mil e uma noites, e também do livro Cânticos dos Cânticos de Salomão da bíblia cristã, entre outros.

Em sua ligação com o imaginário, a literatura erótica consegue ultrapassar de seu plano meramente explícito e conduzir autores e leitores a uma jornada de descobertas e idéias, com seus desejos ocultos. E enquanto houver segredos, haverá o erotismo se encarregando de dar vazão dos sonhos à vida real.

"Margot, olhe minha vara Ama, agora convidativa Que a manhã já chega e acaba, com a vida. Quando a morte dura nos encontre, E de uma vez nos enterre no foso profundo, Adeus às volúpias amorosas, Que nunca as Escritura deram fatos Sobre foder em outro mundo.”( de Maynard, poeta francês do Século 17, contemporâneo de Quevedo).

5 de novembro de 2010

Análise da Obra: O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde




Considerada uma das maiores obras do Oscar Wilde, único romance deste autor. A obra retrata a corrupção dos valores da sociedade cuja estética é um dos fatores primordiais quando se almeja ter sucesso. Atualmente, este demasiado valor a beleza parece ser mais acentuado conquanto o indivíduo não seja julgado plenamente por sua capacidade e sim Dorian pelo seu modo de vestir e de falar, se é gordo ou magro, se tem cabelos loiros ou castanhos, se é branco ou negro.

O livro nos mostra estas vertentes. Dorian Gray é um jovem exemplar, não por sua conduta obviamente réproba mas pela beleza do seu rosto e de sua juventude. O personagem não dá crédito suficiente a esta beleza, ou não tanto, até conhecer Lord Henry que lhe esmaga com suas teorias e valores contrários a moralidade da época, mostrando sua profunda tristeza por que toda a beleza que Dorian aspirava estava sujeita ao tempo e se perderia com o passar dos anos. Dorian é confrontado através do seu retrato pintado pelo amigo e confidente Basil Hallward. Percebendo o quão perene são todas as coisas e conseguintemente ele mesmo Dorian amaldiçoa a ação inevitável do tempo que imprecará máculas em sua face perfeita, deixará cansados seus olhos vivos, decrépito seu corpo viril e jovial. Absorto nestes pensamentos Dorian faz um pedido: sua alma para que o quadro envelhecesse em seu lugar.

Marcado pelo profundo desejo de permanecer incólume em seu corpo, o retrato, fruto da profunda admiração de Basil por ele, toma para si todas as conseqüências dos atos de Dorian, funcionado como inquisidor da própria imagem, de maneira que Dorian desenvolve um medo mortal deste segredo (tão logo percebe que o retrato incorpora todas as imperfeições estéticas que deviam ser dele).

Seu retrato é sua própria alma, antes intocada e pura, gentil e doce, digna de todas as aprovações mas no decorrer da história fica decrépita de modo que suas semelhanças com o personagem são cada vez mais distintas. O quadro reflete tudo aquilo que Dorian despreza e ignora e serve como inquisidor de modo a confrontá-lo em a verdade absoluta e imperturbável.

Apoiado no falso sentimento de segurança, acreditando estar acima dos próprios pecados, Dorian se corrompe a ponto de ser evitado pela sociedade que lhe condena todos os atos. Por fim, com medo e precisando de alguém com quem partilhar seu segredo, ele acaba tornando seu amigo um confidente da terrível maldição que lhe mantém incólume e deste ato para seu final trágico temos uma viagem entre uma admiração e um assassinato.
 
Dorian é indicado para quem quer outra visão sobre conceitos tão presentes na vida cotidiana, como a beleza e o que é aceitável na   vivência social.

1 de novembro de 2010

A Literatura Híspano-Americana: O Realismo Mágico

Já que comecei falando de um escritor peruano, um dos principais expoentes do chamado boom latino-americano, pretendo seguir explorando e conhecendo um pouco mais este movimento literário que foi um verdadeiro fenômeno da literatura na segunda metade do século passado. É aí que vamos encontrar a noção de Realismo Mágico, uma tendência estética da prosa híspano-americana que teve seu auge durante as décadas de 1960 e 1970.

O Realismo Mágico foi fundamental para a divulgação  e consolidação do romance deste continente no cenário da literatura global. Ao mesmo tempo foi considerado um sinônimo da volta da história bem contada e uma contribuição à superação da crise criativa pela qual passava o romance ocidental no período do pós-guerra. Na verdade os textos modernistas se distanciavam da figuração narrativa, seguindo uma espécie de experimentalismo sintático.

O Realismo Mágico. dessa forma, simboliza uma reconciliação com o dinamismo narrativo, com a imaginação livre e ativa, assinalando o retorno de temas da literatura maravilhosa do século XIX.

A origem direta deste termo está no debate em torno das artes plásticas na Alemanha dos anos 1920, onde o escritor caribenho Alejo Carpentier inspirou-se para depois aplicá-lo à realidade literária da América Latina. Assim Carpentier o mencionou pela primeira vez no prológo  de seu livro intitulado O Reino deste Mundo.

O Realismo Mágico ou Real Maravilhoso segundo Carpentier seria um projeto dos autores latino-americanos, que visava  mobilizá-los em torno da articulação de uma autenticidade cultural própria do continente. Tratava-se de uma busca ou descoberta da realidade informal da mitologia, da história e da memória popular da América Latina.Em relação ao conteúdo surgiam elementos sobrenaturais que intervinham nos componentes do imaginário humano, na criação representativa de outras dimensões da realidade experimentada e na descoberta de camacas mítico-lendárias da mentalidade popular, que recuperavam a atmosfera maravilhosa da narrativas.

30 de outubro de 2010

Introdução à Literatura Infanto-Juvenil. Parte 3. Categorias.

A segunda Categoria que iremos discutir será Ação/Aventura.
Não é difícil perceber essas características na literatura infanto-juvenil, até porque quando falamos nela, a primeira que nos vem à cabeça é: herois corajosos enfrentando monstros inimagináveis, utilizando feitos indistinguíveis para salvar uma donzela, uma vila, uma cidade, ou o mundo. Apesar de saber que não é assim que acontece na literatura de adolescentes e crianças (Ver Drama Feminino), mas que assim é mais emocionante e divertido.


Historicamente falando os livros destinados a crianças, sempre eram de cunho pedagógico, ou moral; sempre que esses princípios eram contextualizados, ou seja, transcritos através das histórias, qual o cenário utilizado? Sim, a Aventura. Está certo que os Contos de Fadas e Fábula eram excessivos na época, mas prevalecia o clima de “suspense”, “viagem” e “descobrimento”; ou como Chapeuzinho Vermelho teria ido sozinha até a casa de sua avó e encontrado um imenso e faminto Lobo Mau?


Acontece que esse tema foi se popularizando, e de certa forma carimbando sua marca na Literatura Infantil e Juvenil. Convenhamos que esse cenário chama bastante a atenção, principalmente quando as personagens estão sob tensão, satisfazendo a ansiedade do leitor, e o melhor, agradando de certa forma que a obra será divulgada para outros leitores e assim formando uma corrente de pessoas interessadas pelo gênero.


Tudo bem, esses são conceitos modernos, aplicados à categoria Ação/Aventura, o que não quer dizer que as histórias de ação não são boas, apesar de ser muito utilizada para a venda de livros. Definindo melhor esta categoria tem uma afinidade muito intensa com o entretenimento, caracterizando-a como leitura de diversão.


Podemos encontrar boas histórias de aventuras, nos moldes de obras como Harry Potter e Percy Jackson, enfim essa categoria serve como pano de fundo para outros gêneros, não os desconsiderando ou diminuindo-os, onde o objetivo principal é estimular a imaginação.


Bem, essa foi uma breve descrição da categoria Ação/Aventura em breve mostraremos muito mais notícias e divulgaremos as literaturas que compões este gênero.

29 de outubro de 2010

Introdução à Literatura Infanto-Juvenil. Parte 2. Categorias.

Bem, já sabemos o que define a literatura infanto-juvenil, mas como a series Luz e Trevas (Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer) está encaixada no mesmo conceito de... Alice no País das Maravilhas? Calma, também sabemos que a maior parte da literatura direcionada a jovens, está diretamente ligada com indústria cultural e comercial, portanto, voltada para obtenção de lucro; afastando a produção intelectual da obra, considerando-a como vaga e não artística. Julgamentos à parte, deveremos ter em mente que o mais precioso nesse blog é a obra e sua importância, mesmo sendo relacionada às características acima.

E o que difere a série Luz e Trevas,de Stephenie Meyer, da consagrada Alice no País das maravilhas, Lewis Carroll é a Característica de cada obra. Desde que a literatura infanto-juvenil ganhou forte influência, ela tem passado por diferentes estilos, consistindo certo tipo de moda entre seus leitores. Hoje podemos numerá-las e estudá-las de forma adequada.
A seguir definirei as chamadas “Categorias” de literatura infanto-juvenil, mostrando alguns exemplos de com as categorias correspondentes.
A primeira Categoria discutida será Drama Feminino.

Os dramas femininos estão cada vez mais populares, sua origem histórica não é tão importante, por dois motivos: primeiro, o drama é um gênero universal, integrado a todas estórias; segundo, essa característica podem ser notável em diversos livros de variadas épocas, um exemplo bem antigo é Pollyanna de Eleanor H. Poter em 1913, portanto o que vale é discuti-la, e apresentar a data de quando ficou mais evidente. É bem provável que todo mundo (ou pelo menos aqueles que são informados, ou os que tentam a qualquer custo) têm conhecimento da série que iconisou a Literatura Infanto-Juvenil: Harry Potter.
Não parece, mas foi desta série que o chamado Drama Feminino teve origem popular (e de massa), HARRY POTTER NÃO É DRAMA FEMININO, mas a narrativa voltada para a evolução e amadurecimento da personagem, impressionou tanto que chamou a atenção de vários escritores.
Atualmente os livros mais vendidos, são caracterizados como Drama Feminino, literatura altamente voltada para garotas, pois tratam de temas como amor verdadeiro, primeiro amor, moda, estética, atualidades e todo o tipo de tema que componha o glamour de uma adolescente. O sobrenatural também está bastante presente nestas estórias, muitas vezes a paixão das protagonistas são vampiros, lobisomens ou anjos.

Outro atributo marcante no Drama Feminino é independência, dedicada ao sexo feminino, muitas das personagens são introduzidas com uma personalidade incontestável, às vezes apresenta a delicadeza feminina, mas a maior parte é a resistência que possuem. Uma forma quase imperceptível de contrapor o preconceito masculino.
Enfim os Dramas Femininos são totalmente dedicados as mulheres (obvio, não?). Sim. O importante é ressaltar que estas obras são os resultados, modernos, dos antigos romances utópicos do século 18, que apresentam jovens damas num contexto contemporâneo (escola, família, relacionamentos) e suas capacidades.

Em breve mostrarei alguns exemplos de Literatura Infanto-Juvenil – Drama Feminino, incluindo sinopses, imagens, notícias e muito mais.

O Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Mário Vargas Llosa

No inicio deste mês a Academia Sueca anunciou o nome do vencedor do Prêmio Nobel de literatura de 2010 e para surpresa de muitos foi o escritor peruano Mário Vargas Llosa, uma das principais figuras responsáveis  pelo chamado boon da literatura latino-americana durante os anos 60 e 70. Antes  deste ele já havia ganhado inúmeros prêmios em vários outros países, como o Cervantes em 1994, o mais importante da língua espanhola. 

                              
Mesmo com tanto reconhecimento por sua obra, é ainda assim um autor bastante controverso, amado por  uns e combatido por  outros que o acusam de adotar  um estilo arcaico   e   ultrapassado   em  sua  maneira   de  escrever.   Já   aqueles   que   o defendem dizem que o autor peruano consegue unir "a amplitude social  da época áurea do romance com a ousadia  linguística dos modernos". O  fato é que comparado com outros escritores latino-americanos Vargas Llosa tem um estilo mais clássico, adotando também uma técnica de contar histórias a partir de vários pontos de vista,  sem  respeitar  ordens  lineares.  Característica que pude comprovar em A Casa Verde, seu segundo livro publicado e o único que até agora li. Neste livro a ação se passa em dois lugares diferentes: a selva e uma cidade chamada Piura. Nestes  cenários,  Vargas  Llosa  tece sua história, como   numa   colcha   de   retalhos,   a   partir   de   fragmentos   de   diálogos   e acontecimentos separados no tempo e no espaço.
                              
O primeiro romance de Mário Vargas Llosa chama-se A Cidade e os Cachorros, onde é feito um triste balanço do espírito reacionário presente no meio militar. O romance é baseado em dois anos de  formação na Escola Militar de Lima, para onde foi mandado por seu pai que desejava tirar do filho as veleidades poéticas.
                              
O escritor peruano foi o sexto escritor latino-americano a receber o Nobel de literatura. Segundo a academia Sueca Mário Vargas Llosa recebeu o prêmio por conta da  "cartografia de estruturas  de poder  e  imagens vigorosas   sobre a resistência, revolta e derrota individual" presente em sua obra.