No inicio deste mês a Academia Sueca anunciou o nome do vencedor do Prêmio Nobel de literatura de 2010 e para surpresa de muitos foi o escritor peruano Mário Vargas Llosa, uma das principais figuras responsáveis pelo chamado boon da literatura latino-americana durante os anos 60 e 70. Antes deste ele já havia ganhado inúmeros prêmios em vários outros países, como o Cervantes em 1994, o mais importante da língua espanhola.
Mesmo com tanto reconhecimento por sua obra, é ainda assim um autor bastante controverso, amado por uns e combatido por outros que o acusam de adotar um estilo arcaico e ultrapassado em sua maneira de escrever. Já aqueles que o defendem dizem que o autor peruano consegue unir "a amplitude social da época áurea do romance com a ousadia linguística dos modernos". O fato é que comparado com outros escritores latino-americanos Vargas Llosa tem um estilo mais clássico, adotando também uma técnica de contar histórias a partir de vários pontos de vista, sem respeitar ordens lineares. Característica que pude comprovar em A Casa Verde, seu segundo livro publicado e o único que até agora li. Neste livro a ação se passa em dois lugares diferentes: a selva e uma cidade chamada Piura. Nestes cenários, Vargas Llosa tece sua história, como numa colcha de retalhos, a partir de fragmentos de diálogos e acontecimentos separados no tempo e no espaço.
O primeiro romance de Mário Vargas Llosa chama-se A Cidade e os Cachorros, onde é feito um triste balanço do espírito reacionário presente no meio militar. O romance é baseado em dois anos de formação na Escola Militar de Lima, para onde foi mandado por seu pai que desejava tirar do filho as veleidades poéticas.
O escritor peruano foi o sexto escritor latino-americano a receber o Nobel de literatura. Segundo a academia Sueca Mário Vargas Llosa recebeu o prêmio por conta da "cartografia de estruturas de poder e imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual" presente em sua obra.

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